vaca encontra o rio (cow meets the river)
vaca encontra o rio perdura numa pesquisa de criação em dança que, no tempo cronológico, se estende por mais de nove anos. a cada ano, o trabalho rumina e atualiza-se enquanto um corpo-paisagem crítico e em constante estado de pergunta e contradição. se por um lado essa vaca sabe estar na condição de filha da agropecuária e da fome tamanha do mundo neoliberal, poderia ela desejar viver em estado de poesia e de não captura?
para isso, vaca encontra o rio invoca uma presença que se demora nos gestos. busca ruminar o tempo como uma vaca rumina o capim, investigando a duração de cada movimento a partir da fruição deste enquanto paisagem. mas o que começa como um permanecer nesse ambiente pictórico e fotográfico, de uma vaca entre luz e sombra no seu habitat íntimo e lento, logo ganha um lugar ritmado pela fluência da urgência de um rabo-pêndulo e um rio de malditas palavras. agita-se uma pergunta incontornável: o que pode uma vaca, que não seja ser abatida e nem abatimento?
cow meets the river persists in a dance creation research that, in chronological time, spans over nine years. each year, the work ruminates and updates itself as a critical body-landscape in a constant state of questioning and contradiction. if, on one hand, this cow knows it exists in the condition of a daughter of agribusiness and the immense hunger of the neoliberal world, could it wish to live in a state of poetry and non-capture?
to do so, cow meets the river invokes a presence that lingers in gestures. it seeks to ruminate time just as a cow ruminates grass, investigating the duration of each movement through its enjoyment as a landscape. but what begins as a remaining within this pictorial and photographic environment—of a cow between light and shadow in its intimate and slow habitat—soon gives way to a place rhythmicized by the fluency and urgency of a pendulum-tail and a river of damned words. an unavoidable question stirs: what can a cow do, that is neither being slaughtered nor slaughter itself?